Blog Ana Carolina Zacari

depressão pós-parto

É tristeza materna ou depressão pós-parto?

É comum que muitas mulheres se perguntem, nos primeiros dias após o parto: “Será que o que estou sentindo é normal?” Entre o cansaço, as mudanças corporais, as novas responsabilidades e a intensidade emocional desse período, nem sempre a maternidade é vivida da forma como se imaginava. Chorar com frequência, sentir-se insegura ou emocionalmente sobrecarregada pode fazer parte do processo de adaptação. Em outros casos, porém, esses sinais podem indicar a necessidade de uma atenção mais cuidadosa à saúde mental.

Os primeiros dias após o parto trazem um período de mudanças, imprevistos e emoções. Há uma transição entre os papéis de filha para mãe, uma transformação corporal, uma pressa em reorganizar-se  para cuidar do bebê, um entorno que espera ver a recém mãe feliz. 

Não saber o que fazer nos primeiros dias e não se sentir “radiante” como se esperava são sentimentos comuns às puérperas; somados à sobrecarga das novas tarefas maternas e demandas desgastantes. Ocorre um processo de adaptação psicológica para lidar com novas situações. Um processo que passa ao mesmo tempo por lutos e realizações. Ao mesmo tempo em que um bebê chega, também se encerram fases anteriores da vida. Há mudanças na rotina, no corpo, na relação com o parceiro, no trabalho e na forma como a mulher se percebe. Por isso, o puerpério costuma envolver conquistas, mas também despedidas e adaptações.

O Baby Blues, ou tristeza materna, pode acontecer nos primeiros dias após o parto como uma reação de ajustamento e é caracterizado por crises de choro, ansiedade e irritabilidade, com sentido específico para cada mulher, podendo abarcar lutos, sensações de incapacidade ou conteúdos da própria história de vida que despertam nesse momento. 

Geralmente, esse período dura por volta de duas semanas, espera-se que amenize até o fim do primeiro mês. É importante ressaltar que embora vivendo o baby blues, a recém mãe consegue realizar o cuidado de si e do bebê.  A rede de apoio é um fator essencial na ajuda com a casa, comida e suporte necessário para auxiliar nas mudanças vividas. A partir do primeiro mês há uma adaptação dos ritmos mãe-bebê em comparação a eles mesmos na primeira semana, começa-se a reconhecer os progressos em relação ao caos anterior. Novo aprendizado desbloqueado: as habilidades com um bebê não são inatas, mas construídas. É necessário tempo para conhecer o bebê e organizar a nova rotina.

Já a depressão pós-parto representa um maior comprometimento funcional e de maior duração, ou seja, há grande dificuldade nos cuidados básicos em relação a si mesma e ao bebê. Caracteriza-se pela diminuição do humor, melancolia, culpa, desânimo, lentificação, insônia ou hipersonia. Esses sintomas têm maior intensidade e sofrimento, prejudicando a percepção das necessidades do bebê e seu cuidado. 

Mulheres que já tiveram depressão antes ou durante a gravidez têm maiores chances de desenvolver uma depressão pós-parto. A presença da rede de apoio é imprescindível nesse caso, pois o isolamento pode levar a uma piora do quadro. A duração pode ocorrer de meses até dois anos ou mais, se não tratada. O tratamento é realizado com psicoterapia e medicação, sendo comum o atendimento também aos familiares para ampliar o cuidado com a mãe e o bebê. 

Nem toda tristeza após o parto significa depressão, mas toda mulher merece ser acolhida em seu sofrimento, sem julgamentos e sem a expectativa de precisar dar conta de tudo sozinha. Quando há dúvidas sobre o que está sendo vivido, buscar ajuda profissional pode trazer mais clareza, suporte e cuidado para a mãe e para o bebê. O profissional de saúde aprofundado em saúde mental materna tem a escuta atenta para distinguir a tristeza materna da depressão pós-parto, assim como oferecer acolhimento e tratamento especializado.

psicóloga online

Sobre mim

Ana Carolina Zacari é psicóloga formada pela PUC-SP, com formação em Psicologia Perinatal no Instituto Gerar e residência em Saúde da Mulher pela UNIFESP. Experiência no setor de Obstetrícia do Hospital São Paulo, especializado no atendimento de alto risco, e na Casa de Saúde da Mulher Domingos Delascio nos ambulatórios de abortamento de repetição, gemelares, prematuridade e malformação fetal. Realiza psicoterapia online e oferece supervisão aos psicólogos que desejam se dedicar no tema da perinatalidade.

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