Como saber se quero ser mãe?

Como saber se quero ser mãe? Essa é uma pergunta frequente na psicoterapia e costuma surgir em diferentes momentos da vida. É o momento certo? Quero mesmo ser mãe ou é a sociedade que me faz acreditar que eu quero? E se eu me arrepender de não ter tido filhos?

São perguntas mais comuns do que parece, embora nem sempre sejam faladas em voz alta. Em nossa cultura, muitas vezes parece existir apenas dois grupos: o das mulheres que sempre souberam que queriam ser mães e o das mulheres que nunca desejaram a maternidade.

Questionar não significa ausência de desejo.

Ao contrário, interrogar-se revela a responsabilidade por essa escolha. E também coloca em evidência um aspecto importante da experiência humana: a ambivalência. Cabe no coração desejar e temer, querer e hesitar, sonhar e sentir receio. Diante de decisões que transformam a vida, sentimentos aparentemente contraditórios podem coexistir.

Muitos conteúdos delicados atravessam essa reflexão. A pressão familiar, as expectativas sociais, o desejo do parceiro, o medo da solidão futura, as experiências vividas na própria infância, as preocupações com a carreira, a liberdade e as mudanças que a maternidade pode trazer.

Para além da pergunta “Quero ou não ser mãe?” é preciso entender “O que significa ser mãe para mim?”.

O conflito costuma surgir porque existem diferentes caminhos possíveis: há uma vida com filhos e uma vida sem filhos. Nenhuma escolha preserva todas as possibilidades ao mesmo tempo, pois toda decisão implica também uma renúncia – e precisaremos lidar com maior ou menor fantasia sobre como teria sido o caminho que não escolhemos. 

A psicoterapia abre um espaço de aprofundamento para ampliar a compreensão sobre qual vida deseja construir, que lugar a maternidade ocupa ou não nesse projeto, assim como quais medos e desejos aparecem quando se vê futuro. 

Muitas vezes, o sofrimento surge da busca por uma resposta que elimine completamente as dúvidas. Porém, viver também implica escolher sem conhecer plenamente o futuro. O desafio não é eliminar toda incerteza, mas compreender qual caminho faz mais sentido para si, considerando seus desejos, valores e possibilidades.

Sobre Mim

Ana Carolina Zacari é psicóloga formada pela PUC-SP, com formação em Psicologia Perinatal no Instituto Gerar e residência em Saúde da Mulher pela UNIFESP. Experiência no setor de Obstetrícia do Hospital São Paulo, especializado no atendimento de alto risco, e na Casa de Saúde da Mulher Domingos Delascio nos ambulatórios de abortamento de repetição, gemelares, prematuridade e malformação fetal. Realiza psicoterapia online e oferece supervisão aos psicólogos que desejam se dedicar no tema da perinatalidade.

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